Relatórios de CRM costumam começar pela taxa de abertura. Ela ajuda a comparar variações de assunto, remetente e horário de envio, sempre em relação a outra variação, e não isoladamente. O ponto é não parar nesse indicador, porque ele não responde à pergunta que interessa: se o CRM está contribuindo para as vendas.
A leitura também ficou menos direta depois das proteções de privacidade que carregam imagens automaticamente em alguns clientes de e-mail. Um aumento de abertura pode não indicar aumento de interesse real.
Este artigo propõe uma régua em camadas, da mensagem até o resultado comercial.
Camada 1: a mensagem funcionou?
São os indicadores de execução. Avaliam o envio, não o negócio.
- Entregabilidade e taxa de rejeição, que ajudam a avaliar a saúde da base.
- Abertura e clique, úteis para comparar variações de assunto e formato entre si.
- Descadastro e marcação de spam, que ajudam a avaliar o custo de insistir.
O uso correto dessa camada é comparativo: variação A contra variação B, no mesmo público e no mesmo período. Fora disso, o número isolado diz pouco.
Camada 2: a pessoa fez algo depois?
Aqui começa a leitura de comportamento.
- Visitas e sessões originadas das mensagens.
- Itens adicionados ao carrinho depois do contato.
- Pedidos atribuídos ao fluxo ou à campanha, dentro de uma janela combinada.
- Receita atribuída ao fluxo ou à campanha, com a regra de atribuição declarada.
O ponto mais importante desta camada é combinar antes qual é a janela de atribuição e registrar isso. Sem essa definição, cada relatório pode mostrar um número diferente para o mesmo mês.
Camada 3: mudou o comportamento do cliente?
Esta é a camada que o CRM existe para mover, e a que costuma receber menos espaço no relatório.
- Taxa de recompra por grupo e por período.
- Intervalo entre compras, que é o tempo médio de uma compra à seguinte, para ver se o ciclo encurtou.
- Recência, que é outra coisa: o tempo desde a última compra de cada cliente.
- Frequência média de pedidos por cliente ativo.
- Taxa de reativação de quem estava inativo, com o critério de inatividade definido para o seu ciclo de consumo.
- Participação da base na receita total, separando cliente novo de cliente que volta.
Essas medidas se leem em coorte, não em total. Comparar o mês inteiro esconde o efeito, porque mistura quem comprou pela primeira vez com quem já era cliente.
Como comparar sem se enganar
Três cuidados mudam bastante a qualidade da leitura:
- Compare grupos equivalentes. Quem recebeu contra quem não recebeu, com perfil parecido. Se não for possível segurar um grupo de controle, compare períodos equivalentes, com atenção a sazonalidade. Vale lembrar que grupos parecidos e períodos equivalentes dão indícios, e podem sofrer vieses de seleção e de contexto: não equivalem a um experimento com sorteio, e por isso não comprovam causalidade.
- Declare a janela. Uma compra sete dias depois do e-mail conta? E trinta? A resposta muda o resultado e precisa ser a mesma em todos os relatórios.
- Não some receitas atribuídas de fontes diferentes. A plataforma de anúncio, a ferramenta de CRM e a plataforma de e-commerce podem atribuir a si a mesma venda. Somar as receitas atribuídas pelas três tende a inflar o total.
Perguntas para a sua reunião de CRM
- Qual é a definição de cliente ativo e de cliente inativo na nossa operação?
- Qual janela de atribuição estamos usando, e ela é a mesma em todos os relatórios?
- A receita atribuída ao CRM se reconcilia com os pedidos registrados na plataforma de e-commerce? Ela costuma ser um subconjunto das vendas, não o total.
- Qual fluxo contribuiu mais no período, e por qual critério afirmamos isso?
- O que foi testado no mês, e o que o teste mostrou?
Um limite que vale assumir
Nem todo efeito de CRM é atribuível. Uma mensagem pode lembrar o cliente da marca sem gerar clique, e a compra acontecer por busca direta depois. Isso não é falha de mensuração, é característica do canal. O caminho é reconhecer o limite e usar comparação de grupos e períodos para estimar o efeito, sabendo que a estimativa tem incerteza, em vez de forçar uma atribuição que a ferramenta não consegue sustentar.
Para seguir
Veja o escopo de CRM por e-mail, SMS, push e WhatsApp e de réguas de automação personalizadas. Para a parte de infraestrutura de dados e integração entre fontes, analytics e BI trata do assunto. Vale ler também CRM para e-commerce além do e-mail marketing.
